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PORTUGAL




O território português actual foi originalmente habitado por populações ibéricas do Paleolítico, que produziram as Gravuras Rupestres do Vale do Côa, de entre os quais, se destacavam os Iberos e os Lusitanos como maiores grupos étnicos. Os celtas chegaram ao território, cerca do séc VI antes da era cristã, fundindo-se com os Iberos, formando o povo Celtibero. A chegada de populações celtas foi-se dando, com maior ou menor frequência até ao séc. I. Mais tarde, deu-se a invasão pelo Império Romano, e o norte de Portugal fazia então parte da Galécia, com capital em Braga. O território a Sul do Douro até ao Algarve constituiu a maior parte da província romana com o nome de Lusitânia, conjuntamente com a actual região da Extremadura espanhola. Quando o Império Romano caíu, os Suevos fundaram um reino, cuja capital era Bracara, englobando a Galiza e parte das Astúrias e estendendo-se até ao Tejo a sul. Ocupando mais ou menos a actual faixa que Portugal ocupa do Rio Tejo até ao Algarve, instalou-se o Reino dos Alanos, sendo que os Visigodos ocuparam o resto da península. Em 580, os Visigodos conseguiram conquistar o resto da península. Mais tarde invadido pelos Mouros, o condado de Portugal ou Condado Portucalense veio a ser estabelecido depois da conquista do Porto por Vímara Peres, em 868, como parcela da monarquia galega. Este condado compreendia as terras a sul do Rio Minho até ao Rio Vouga, compreendendo também as cidades de Lamego e Viseu.

 

Muito antes de Portugal conseguir a sua independência, já tinham havido algumas tentativas de conseguir uma autonomia mais alargada, e até mesmo a independência por parte dos condes que governavam as terras de Galiza e Portucale. Para terminar com este clima independentista da nobreza local em relação ao domínio leonês, o Rei Afonso VI de Leão, entregou o governo do Condado da Galiza(que nessa altura incluía as terras de Portucale) ao Conde D. Raimundo de Borgonha. Após muitos fracassos militares de D.Raimundo contra os Mouros, Afonso VI decidiu dar em 1096 ao primo de este, o Conde D. Henrique o governo das terras mais a sul do Condado da Galiza, fundando assim o Condado de Portucale. Com o governo do Conde D. Henrique, o Condado Portucalense conheceu não só uma política militar mais eficaz na luta contra os Mouros, mas também uma política independentista mais activa, apesar de nunca ter conseguido alcançar a independência. Só após a sua morte, quando o seu filho D.Afonso Henriques subiu ao poder, Portugal conseguiu alcançar a sua independência com a assinatura em 1143 do Tratado de Zamora, ao mesmo tempo que conseguiu ainda conquistar cidades importantes como Santarém, Lisboa, Palmela e Évora aos Muçulmanos.

 

Terminada a Reconquista do território português em 1249, a independência do novo reino viria a ser posta em causa várias vezes por Castela. Primeiro, na sequência da crise de sucessão de D. Fernando I, que culminou na batalha de Aljubarrota, em 1385. Mais tarde, com o desaparecimento de D. Sebastião, três gerações de reis espanhóis dominaram o país (Dinastia Filipina). Esse domínio foi deposto a 1 de Dezembro de 1640 pela nobreza nacional que após ter vencido a guarda real castelhana, depôs a condessa governadora de Portugal, e coroando D.João IV como Rei de Portugal. Após isto, seguiu-se a guerra entre Portugal e Castela, na qual se deu a Batalha das Linhas de Elvas, terminando apenas em 1668 com a assinatura de um tratado de paz, em que Castela reconhecia de vez a restauração de Portugal.

 


Com o fim da guerra, Portugal deu início ao processo de exploração e expansão conhecido por Descobrimentos, entre cujas figuras cimeiras destacam o infante D. Henrique, o Navegador, e o Rei D. João II. O cabo Bojador foi dobrado por Gil Eanes em 1434, e a exploração da costa africana prosseguiu até que Bartolomeu Dias, já em 1488, comprovou a comunicação entre os oceanos Atlântico e Índico dobrando o cabo da Boa Esperança. Em rápida sucessão, descobriram-se rotas e terras na América do Norte, na América do Sul, e no Oriente, na sua maioria durante o reinado de D. Manuel I, o Venturoso. Foi a expansão no Oriente, sobretudo graças às conquistas de Afonso de Albuquerque que, durante a primeira metade do século XVI, concentrou quase todos os esforços dos portugueses, muito embora já em 1530 D. João III tivesse iniciado a colonização do Brasil. Foi no seu reinado que se atingiram o Japão e, provavelmente, a Austrália.

 

O desastre militar da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, na qual faleceram ou desapareceram o rei D. Sebastião e boa parte da nobreza portuguesa deu origem a uma nova crise de sucessão, 1580, a qual resultou, desta vez, na subida ao trono português de Filipe II de Espanha. Somente em 1640 seria restaurada a independência sob D. João IV, da casa de Bragança.

 

O final do século XVII e a primeira metade do século XVIII assistiram ao florescimento da exploração mineira do Brasil, onde se descobriram ouro e pedras preciosas que fizeram de D. João V um dos monarcas mais opulentos da Europa, que serviram apenas para pagar os produtos importados, maioritariamente de Inglaterra uma vez Portugal ter abdicado da continuidade de Reformas iniciadas pelo 3º Conde da Ericeira, que beneficiava industrialização do País (a exemplo: Não existia indústria têxtil no País e todos os tecidos eram importados de Inglaterra), o comércio externo baseava-se na indústria do vinho e O desenvolvimento económico do reino baseou-se, nos esforços do Marquês de Pombal, ministro de D. José entre 1750 e 1777, para inverter a situação com grandes reformas mercantilistas, acabando mesmo por perseguir diversos opositores como é o caso dos Távoras. Foi neste reinado que um sismo devastou Lisboa e o Algarve, a 1 de Novembro de 1755.

 

Por não quebrar a aliança com a Inglaterra e recusar-se a aderir ao Bloqueio Continental, Portugal foi invadido pelos exércitos napoleónicos em 1807. A Corte e a família real portuguesa refugiaram-se no Brasil, e a capital deslocou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceria até 1821, quando D. João VI, desde 1816 rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, regressou a Lisboa para jurar a primeira Constituição. No ano seguinte, o seu filho D. Pedro IV era proclamado imperador do Brasil independente.

 

Portugal viveu, no restante século XIX, períodos de enorme perturbação política e social (a guerra civil e repetidas revoltas e pronunciamentos militares, como a Revolução de Setembro, a Maria da Fonte, a Patuleia, etc.) e só com o Acto Adicional à Carta, de 1852, foi possível a acalmia política e o início da política de fomento protagonizada por Fontes Pereira de Melo. No final do século XIX, as ambições coloniais portuguesas chocam com as inglesas, o que está na origem do Ultimato de 1890. A cedência às exigências britânicas e os crescentes problemas económicos lançam a monarquia num descrédito crescente, e D. Carlos e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe são assassinados em 1 de Fevereiro de 1908.

 

A República é pouco depois instaurada, em 5 de Outubro de 1910, e o jovem rei D. Manuel II parte para o exílio em Inglaterra. Após vários anos de instabilidade política, com lutas de trabalhadores, tumultos, levantamentos, homicídios políticos e crises financeiras (problemas que a participação na I Guerra Mundial contribuiu para aprofundar), o Exército tomou o Poder, em 1926. O regime militar nomeou ministro das Finanças António de Oliveira Salazar, professor da Universidade de Coimbra, que pouco depois foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros (1932). Ao mesmo tempo que restaurou as finanças, instituiu o Estado Novo, regime corporativo, tradicionalista e autoritário, com afinidades bem marcadas com o fascismo pelo menos até 1945. Em 1968, afastado do poder por doença, sucedeu-lhe Marcelo Caetano.

 

A recusa do regime em descolonizar as Províncias Ultramarinas resultou no início da guerra colonial, primeiro em Angola (1961) e em seguida na Guiné (1963) e em Moçambique (1964). Apesar das críticas de alguns dos mais antigos oficiais do Exército, entre os quais o general António de Spínola, o governo parecia determinado em continuar esta política. Com o seu livro Portugal e o Futuro, em que defendia a insustentabilidade de uma solução militar nas guerras do Ultramar, Spínola seria destituído, o que agravou o crescente mal-estar entre os jovens oficiais do Exército, os quais, no dia 25 Abril de 1974 desencadearam um golpe de estado.

 

Na actualidade é um dos membros da União Europeia (aderiu à então CEE em 1986) e é um dos 13 membros que integram a Zona Euro.