COIMBRA
Cidade de ruas estreitas, pátios, escadinhas e arcos
medievais, Coimbra foi berço de nascimento de seis reis de Portugal e da
Primeira Dinastia, assim como da primeira Universidade do País e uma das mais
antigas da Europa.
Os Romanos chamaram à cidade, que se erguia pela colina
sobre o Rio Mondego, Aeminium. Mais tarde, com o aumento da sua importância
passou a ser sede de Diocese, substituindo a cidade romana Conímbriga, donde
derivou o seu novo nome. Em 711 os mouros chegaram à Península Ibérica, e Coimbra
não foi esquecida. Torna-se, então, um importante entreposto comercial entre o
norte cristão e o sul árabe, com uma forte comunidade moçárabe. Em 871 torna-se
Condado de Coimbra mas apenas em 1064
a cidade é definitivamente reconquistada por Fernando Magno
de Leão.
Coimbra renasce e torna-se a cidade mais importante abaixo
do rio Douro, capital de um vasto condado governado pelo moçárabe Sesnando. Com
o Condado Portucalense, o conde D. Henrique e a rainha D. Teresa fazem dela a
sua residência, e viria a ser na segurança das suas muralhas que iria nascer o
primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, que faz dela a capital do
condado, substituindo Guimarães (é aliás esta mudança da capital para os campos
do Mondego que se virá a revelar vital para viabilizar a independência do novo
país, a todos os níveis: económico, político e social). Qualidade que Coimbra
conservará até 1255, quando a capital passa a ser Lisboa.
No século XII, Coimbra apresentava já uma estrutura urbana,
dividida entre a cidade alta, designada por Alta ou Almedina, onde viviam os
aristocratas, os clérigos e, mais tarde, os estudantes, e a Baixa, do comércio,
do artesanto e dos bairros ribeirinhos.
Desde meados do século XVI que a história da cidade passa a
girar em torno à história da Universidade de Coimbra, sendo apenas já no século
XIX que a cidade se começa a expandir para além do seu casco muralhado, que
chega mesmo a desaparecer com a reformas levadas a cabo pelo Marquês de Pombal.
A primeira metade do século XIX traz tempos difíceis para
Coimbra, com a ocupação da cidade pelas tropas de Junot e Massena, durante a
invasão francesa e, posteriormente, a extinção das ordens religiosas. No
entanto, na segunda metade de oitocentos, a cidade viria a recuperar o
esplendor perdido – em 1856 surge o primeiro telégrafo eléctrico na cidade e a
iluminação a gás, em 1864 é inaugurado o caminho-de-ferro e 11 anos depois
nasce a ponte férrea sobre as águas do rio Mondego.
Com a Universidade como referência inultrapassável, desta
surgem movimentos estudantis, de cariz quer político, quer cultural, quer
social. Muitos desses movimentos e entidades não resistiram ao passar dos anos,
mas outros ainda hoje resistem com vigor ao passar dos anos. Da Univesidade
surgiram e resistem ainda hoje em plena actividade primeiro o Orfeon Académico
de Coimbra, em 1880, o mais antigo coro do país, a própria Associação Académica
de Coimbra, em 1887, e a Tuna Académica da Universidade de Coimbra, em 1888.
Com o passar dos anos, inúmeros outros organismos foram surgindo. Com presença
em três séculos e um peso social e cultural imenso, o Orfeon Académico de
Coimbra representou o país um pouco por todo o mundo, em todos os continentes,
levando a música coral portuguesa e o Fado de Coimbra a todo o mundo.
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