BRAGA
Os vestígios da presença humana na região vêm de há milhares
de anos, como comprovam vários achados. Um dos mais antigos é a Mamoa de Lamas,
um monumento megalítico edificado no período Neolítico. No entanto, apenas se
consegue provar a existência de aglomerados populacionais em Braga na Idade do
Bronze. Caracterizam-se por fossas e cerâmicas encontradas no Alto da Cividade,
local onde existiria uma povoação e por uma necrópole que terá existido na zona
dos Granjinhos.
Na Idade do Ferro, desenvolveram-se os chamados
“castros", próprios de povoações que ocupavam locais altos do relevo. Nos
séculos anteriores ao nascimento de Cristo, com a invasão pacífica dos Celtas,
houve uma fusão de culturas entre estes dois povos, que originou um novo povo,
os Brácaros (em latim, BRACARI).
No decurso do século II a.C., a região foi tomada pelos
Romanos que edificaram a cidade no ano 16 a.C., com a designação de Bracara Augusta,
em homenagem ao Imperador César Augusto[2]. Bracara Augusta, capital da região
da Gallaecia, integrava os três conventos do Noroeste peninsular e parte do
convento Clunia. Desta época data também a criação do bispado de Bracara
Augusta, segundo a lenda, São Pedro de Rates foi o primeiro bispo de Braga
entre os anos 45 e 60, ordenado pelo apóstolo Santiago que teria vindo da Terra
Santa, martirizado quando convertia povos aderentes à religião romana no
noroeste da Península Ibérica. Mas, só no ano 385 é que o Papa S. Sirício faz
referência à metropolitana de Bracara Augusta.
Após a conquista do império romano, Bracara Augusta
tornou-se na capital política e intelectual do reino dos Suevos, que abarcava a
Galiza e se prolongava até ao Rio Tejo. Por ordem do rei Ariamiro foi realizado
o concílio de Braga, entre 1 de Maio de 561 a 563, tendo sido presidido por São
Martinho de Dume, bispo titular de Bracara. Deste concílio resultaram grandes
reformas, principalmente no mundo eclesiástico e linguístico, destacando-se a
criação do ritual bracarense e a abolição de elementos linguísticos pagãos,
como os dias da semana Lunae dies, Martis dies, Mercurii dies, Jovis dies,
Veneris dies, Saturni dies e Solis dies, por Feria secunda, Feria tertia, Feria
quarta, Feria quinta, Feria sexta, Sabbatum, Dominica Dies, donde derivam os
modernos dias em língua portuguesa. Posteriormente, com o declínio do povo
Suevo, foi dominada pelos Godos, durante mais de três séculos.
No ano de 716, os Mouros alcançam a cidade e provocam grande
destruição na mesma, dada a sua importância religiosa. Na época, foi também
palco de várias guerras, destruições e saques. Mais tarde, foi reconquistada
por Afonso III, Rei das Astúrias.
No século XI a cidade é reorganizada, provavelmente com a
nova designação de "Braga". É iniciada a construção da muralha
citadina e da Sé, por ordem do bispo D. Pedro de Braga, sobre restos de um antigo
templo romano dedicado à deusa Ísis, que teria mais tarde sido convertido numa
igreja Cristã. A cidade desenvolve-se em torno da Sé, ficando restringida ao
perímetro amuralhado.
Braga foi nessa altura oferecida como dote, por Afonso VI de
Castela, à sua filha D. Teresa, no seu casamento com D. Henrique de Borgonha,
Conde de Portugal. Estes últimos foram senhores da cidade entre 1096 a 1112. Em 1112 doam a
cidade aos Arcebispos. Com a elevação do bispado bracarense a arcebispado, a
cidade readquire uma enorme importância a nível Ibérico. O arcebispo Diego
Gelmírez de Santiago de Compostela, com medo da ascensão da Sé de Braga, rouba
as relíquias dos santos bracarenses na tentativa de diminuir a importância
religiosa da cidade, as relíquias só retornaram a Braga na década de noventa do
século XX.
Sob o reinado de D. Dinis (1279-1325), a muralha citadina é
requalificada, é ainda construída a torre de menagem. Mais tarde, foram
adicionadas nove torres, de planta quadrangular, à muralha existente,
concluindo-se também o Castelo de Braga em torno da torre de menagem existente.
No século XVI, o Arcebispo de Braga D. Diogo de Sousa
modifica a cidade profundamente, introduzindo-lhe ruas, praças, novos
edifícios, provocando-lhe também o crescimento para além do perímetro
amuralhado. Do século XVI ao século XVIII, por intermédio de vários arcebispos,
os edifícios de traça medieval vão sendo apagados e substituídos por edifícios
de Arquitectura religiosa da época.
No século XVIII, Braga por intermédio da inspiração
artística de André Soares (Arquitecto 1720-69) transforma-se no Ex-Libris do
Barroco em Portugal. Nos
fins deste século, surge em várias edificações o Neoclássico com Carlos
Amarante (Engenheiro e Arquitecto 1742-1815). Mais uma vez, por intermédio de
vários arcebispos, os edifícios religiosos são novamente alterados com a
introdução do Barroco e o Neoclássico.
Nos cem anos que se seguem, irrompem conflitos devidos às
invasões francesas e lutas liberais. A cidade é palco de batalha e vítima de
vários saques realizados pelas tropas napoleónicas. Em 1834, com o fim das
lutas liberais, são expulsas várias ordens religiosas da cidade, deixando o seu
espólio para a cidade. Em consequência da Revolta da Maria da Fonte na Póvoa de
Lanhoso, área sob jurisdição do quartel militar de Braga, a cidade é palco de
importantes confrontos entre o povo e as autoridades. No final do século XIX, o
centro da cidade deixa a área da Sé de Braga e passa para a Avenida Central. Em
1875, é inaugurado pelo Rei D. Luís a linha e estação dos caminhos de ferro de
Braga.
No século XX, dá-se a revolução dos transportes e das
infra-estruturas básicas, reformula-se a Avenida da Liberdade, de onde se
destaca o Theatro Circo e os edifícios do lado nascente. Em 28 de Maio de 1926,
o general Gomes da Costa inicia nesta cidade a Revolução de 28 de Maio de 1926.
Por fim, no final deste século, Braga sofre um grande desenvolvimento e converte-se
na terceira cidade do País, estatuto que mantém nos nosso dias.
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